terça-feira, 2 de setembro de 2014

Mini-Crônicas #1

Manhã de Agosto

O dia amanheceu como uma vaga lembrança, se é que o sol era capaz de tocar aquele lugar. Fui momentaneamente tragado pelo toque suave de sua cabeça em meu peito e pelo perfume da volúpia que permeava o ambiente e exalava de nossos corpos – apenas um lembrete de quão indômitos são os jovens espíritos. Cercado pela penumbra e por objetos que remetiam a um mundo que era somente dela, pude sentir o calor que fluía de onde nossa pele se tocava; permanecíamos – ainda – no mesmo luxurioso abraço no qual havíamos sucumbido à exaustão, o mais sublime e humano dos enlaces. Busquei – então – mergulhar no pacífico semblante da criatura adormecida em meus braços; esperava compreender como tão bela e inocente entidade podia carregar, em sua alma, tamanhos e cruéis pecados. Tentava enxergar a razão que encerrava a essência daquele ser, mas quanto mais acreditava me aprofundar em seus segredos, mais me prendia a seus encantos e deles não cogitava fugir. Na manhã enegrecida pelos pelas nuvens de outono, perdi-me em meu silencioso devaneio, como que em respeito às questões flutuantes em minha mente. E de tanto fitar a sutileza do instante, perdi-me do tempo. Foi quando olharam para mim um par de olhos recém despertos;de me entregar a eles, perdi-me de mim mesmo.  

G.F.M.V

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