Manhã de Agosto
O dia amanheceu como uma vaga lembrança, se é que o sol era capaz de tocar aquele lugar. Fui momentaneamente tragado pelo
toque suave de sua cabeça em meu peito e pelo perfume da volúpia que permeava o
ambiente e exalava de nossos corpos – apenas um lembrete de quão indômitos são
os jovens espíritos. Cercado pela penumbra e por objetos que remetiam a um
mundo que era somente dela, pude sentir o calor que fluía de onde nossa pele se
tocava; permanecíamos – ainda – no mesmo luxurioso abraço no qual havíamos
sucumbido à exaustão, o mais sublime e humano dos enlaces. Busquei – então – mergulhar
no pacífico semblante da criatura adormecida em meus braços; esperava
compreender como tão bela e inocente entidade podia carregar, em sua alma,
tamanhos e cruéis pecados. Tentava enxergar a razão que encerrava a essência daquele
ser, mas quanto mais acreditava me aprofundar em seus segredos, mais me prendia
a seus encantos e deles não cogitava fugir. Na manhã enegrecida pelos pelas
nuvens de outono, perdi-me em meu silencioso devaneio, como que em respeito às questões flutuantes em minha mente. E de tanto fitar a sutileza do instante, perdi-me do tempo. Foi quando olharam para mim um par de olhos recém despertos;de me entregar a eles, perdi-me de mim mesmo.
G.F.M.V
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