Perdição
É de admirar que tão doce canção não lhe toque a alma.
De tão singelo alarde fizeste tua estrada, mas nela receia
por o pé.
O que temes, senão o erro de tua jornada?
Pensava eu que residia na vitória tua fé.
Ou agora compreendes que já estás derrotada?
Desde que meu canto não mais tocou-te a alma,
Caíste, com tão curta queda, do pedestal de tua glória
Apagaram-se as etéreas luzes que te iluminavam outrora
E agora? No silêncio escuro do quarto não mais te tocam o
seio
E sei que sozinha não é capaz de atingir o despertar de teu
anseio
Sentes, tarde, saudade de nosso devaneio de sensual doçura
E de acalentar nos lábios um beijo na hora mais escura
Percebes, enfim, que sem nós não haverias de ser nada
Além do destino final de uma viagem mal fadada
Ora rendida à cruz, ora à espada
E aos devaneios em lembrança amada.
G.F.M.V
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