terça-feira, 23 de setembro de 2014

Ensaios #2


Song Of Myself

Folhas em branco abrigam um potencial latente, mas por si só são banais. É o destino que talha a matriz para lhe conferir importância, a aleatória ação do cosmos que preenche lacunas de maneiras virtualmente diferentes; espaço, tempo, vontade são grandezas independentes que se desdobram em planos distintos e que se fundem na materialização da realidade. Corpo alterável, força inalienável e subjetivismo são os componentes do ser. 
O homem é um vértice dimensional. Conectivo entre material e etéreo que se ergue na condição de organismo biológico, parte do fluxo energético, parte do universo. Contudo, somos também alma, consciência, paradoxo místico e carnal. Fato é que desconhecemos o lado que nos faz existir. Nesse labirinto atemporal, buscamos a identidade do eu e velamos constantemente teorias que não se manifestam em tinta sobre o papel.
O que somos? O que ser? O que poder ser? Com uma mente que encontra um limite ao tentar mensurar a própria grandeza, o homem se perde. Ao mergulhar na escuridão da consciência, somos assaltados por sonhos seculares: paz, felicidade e desejo, solidão e companhia, serenidade, equilíbrio. O que quer de fato o homem? São as perguntas que fazemos que inquietam nosso espírito, mas são as respostas que devastam o mundo. Arrogância humana achar saber de algo, tudo fatalmente se prova errado - não há verdade que sobreviva ao tempo.
Existir por existir? Que mal haveria? Aceitar que os segredos se resumem neles próprios é a chave para a resposta. O que é a vida? Respondo vida, e quem haveria de encontrar um erro? Falar por parábolas frequentemente ilude, pois esconde o óbvio. O ser é o fim dele próprio. Se engajar numa busca pelo próprio eu é a demanda de todo homem e o único caminho viável para o conhecimento da verdade e do amor.

G.F.M.V.              (28/11/2012) Adaptado

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